O que levar para a tua primeira milsim de airsoft e o que esperar
O que levar a uma milsim de airsoft: chest rig com rádio, água de sobra, roupa seca, luz dupla, primeiros socorros e com que dormir, e o que vais viver na primeira.
Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft

Neste artigo
- A lista para uma milsim de fim de semana
- Com acampamento ou sem ele: o que muda na mochila
- O que vai no chest rig
- Luz, apito e fita: tudo o que importa, em duplicado
- Água e comida para dois dias
- Dormir no campo sem passar frio
- Roupa seca, pés e óculos
- Os primeiros socorros a sério e os do jogo
- A viagem, a chuva e com quem partilhar a tenda
- O que esperar da tua primeira milsim
Para a tua primeira milsim leva um chest rig com o rádio e o essencial à mão, água de sobra (também para preparar a comida, se for liofilizada), comida que te apeteça quando estiveres cansado, roupa e meias secas para trocares, luz e apito em duplicado e um kit de primeiros socorros a sério. Se for para dormir no campo, junta tenda, duas esteiras e saco-cama. E antes de fazeres a mochila lê o regulamento dessa milsim, porque os horários, a noite, a forma de tratar um ferido e a potência admitida mudam de uma organização para outra.
Quase tudo o que há nesta lista serve para aguentar, não para disparar mais. Nos campos que publicam os seus jogos na Plairsoft, um jogo dura 5 horas de mediana (2.508 jogos realizados em Espanha entre fevereiro de 2025 e outubro de 2026), e no histórico desses campos em Espanha e Portugal menos de um em cada dez é anunciado como noturno (medido em outubro de 2026). Uma milsim com acampamento pode durar 36 horas, com a noite pelo meio e paragens de várias horas para descansar. Se ainda não sabes bem em que difere de um jogo de domingo ou de uma TACSIM, está explicado no artigo sobre os tipos de jogos de airsoft.
A lista para uma milsim de fim de semana
Na primavera de 2024 ia jogar uma milsim de 36 horas com acampamento base. Desci a Madrid com o equipamento todo preparado e na véspera foi cancelada, porque umas aves protegidas tinham feito ninho na zona de jogo, por isso gravei-o peça a peça no vídeo acima. Ia ser a minha primeira milsim a dormir em tenda, mas vivo numa zona de muita montanha e já passei várias vezes dois ou três dias acampado no monte, de modo que segui as mesmas regras que num acampamento e juntei-lhes o chest rig, a réplica e a proteção.
| O quê | O que eu levava | Para quê |
|---|---|---|
| Em cima, para jogar | Chest rig com carregadores, rádio, torniquete de jogo, apito, isqueiro e multiferramenta | Ter tudo à mão sem tirar nada |
| Água | 5 ou 6 litros para o fim de semana, e de 600 a 800 ml nas bolsas ao sair em missão | Sem comer aguenta-se, sem beber não |
| Comida | Rações principais, barras, carne seca, creme de cacau em saquetas e géis de cafeína | Energia e vontade quando chega o cansaço |
| Roupa | Três peças de cima, duas de baixo, cuecas e meias de muda, poncho e um casaco para as pausas | Começar a noite seco |
| Luz | Lanterna no capacete, outra potente no colete, uma pequena de reserva e duas barras de luz vermelha | Que te vejam se caíres de noite |
| Primeiros socorros | Um kit a sério numa bolsa de cintura, à parte do material do jogo | O que acontecer de verdade |
| Para dormir | Tenda, duas esteiras, saco-cama e uma manta | Descansar entre turnos |
| Higiene | Toalhitas, desodorizante em creme e sacos com fecho zip | Dois dias sem duche |
Não é uma lista para copiar à letra. Eu transpiro imenso e por isso carrego mais roupa do que a média, e quem transpirar menos poupa esse peso. O que levas decides tu, conforme o que já sabes fazer no monte e o que o teu corpo te pede.
Com acampamento ou sem ele: o que muda na mochila
Aquela milsim era de formato clássico: um acampamento base onde não te podem disparar, com as tendas montadas. A mochila grande só serve para chegares lá com tudo, e em cada missão sais leve, com o chest rig e aquilo de que vais precisar lá fora. As refeições grandes fazem-se no acampamento, com o fogareiro.
Nas de estilo MilSim West não há tendas e a mochila grande não fica em sítio nenhum: o que serve para dormir vai contigo o jogo todo, por isso cada grama que metes na mochila carrega-lo de missão em missão. Para esse formato eu nem levaria fogareiro: a comida, fácil de comer e que não precise de água, e só a essencial.

Nem todas encaixam num dos dois. Numa milsim privada que joguei no sul de França dormia-se em bivaque, e na minha esquadra de quatro calhou-me levar a mochila maior, com o necessário para dormir ao relento se fosse preciso e água e comida de reserva para os quatro, porque no primeiro dia a missão acabava quando cada esquadra a cumpria e podia acontecer passar a noite no terreno. Pergunta à organização que formato tem a milsim antes de comprares seja o que for para dormir.
O que vai no chest rig
Para milsim recomendo um chest rig em vez de um porta-placas, e uma das razões é que deixa à frente uma espécie de plataforma, a zona do triângulo vital, onde vai o que tens de agarrar sem pensar. Aí levo uma bolsa de administração com um caderno, um marcador, uma esferográfica e espaço para o mapa, para apontar o que for preciso num jogo longo. Ao lado vão a multiferramenta, o apito e um isqueiro, que tanto te serve para uma carga com rastilho como para acender o fogareiro.

O torniquete de jogo põe-se e tira-se imensas vezes em cada jogo, por isso levo-o num bolso das calças com o fecho bem fechado, para que quem me for tratar o tire sem andar à luta com velcros.
Levava os mesmos carregadores de quando jogo com porta-placas, mas sem o cinto de primeira linha (o first line): jogava-se a 1,14 joules com distância mínima de zero metros, a espingarda chegava-me, e no lugar do cinto ia um kit de primeiros socorros a sério. Conta também com o peso das munições. Com a G36C a gás da Army Armament do vídeo de maio de 2026, cujo carregador original pesa 800 gramas (há outro compatível que pesa metade), fiz as contas: dez carregadores numa milsim são oito quilos a mais.
Os limites define-os cada organização, e podem não se parecer com os de um jogo de domingo. Na milsim do México que publiquei em julho de 2025, as espingardas iam a 1,6 joules, também a zero metros. Como referência, quase nove em cada dez campos de Espanha que publicam o seu limite na tabela de potências da Plairsoft deixam a espingarda nos 350 fps, que com bola de 0,20 g são 1,14 joules (medição de 17 de setembro de 2026). Se o regulamento fala em joules e o teu cronógrafo em fps, a calculadora de fps para joules faz a conversão com o peso da tua bola.
E não te esqueças do rádio. Na semi milsim de Maiorca do vídeo de abril de 2024 esqueci-me dele, e houve alturas em que voltei ao respawn sozinho e continuei a jogar com quem lá estivesse. Se te faltar alguma coisa disto, no marketplace da Plairsoft há chest rigs, rádios e mochilas em segunda mão.
Luz, apito e fita: tudo o que importa, em duplicado
No monte aplica-se muito uma regra, two is one, one is none: o que levas uma só vez é como se não o levasses, porque se o perderes ficas sem ele. Quando gravei o vídeo tinha nove anos de formação em primeiros socorros, e tenho amigos que trabalham em resgate. Sigo os conselhos deles sempre que vou para o bosque, porque nunca sabes quando vais cair ou perder-te. E perder-se acontece: num campo de Maiorca que é todo bosque perdi-me com o operador de câmara, que conhecia o campo, e demorámos 29 minutos a voltar ao respawn.
Por isso levo um apito no colete e outro numa pulseira de paracord com bússola. Com visor noturno também levo lanterna: a do capacete, outra potente e de feixe largo no colete e uma pequena de reserva, porque se cair de noite o que quero é que me vejam e ver bem, e o visor não me dá isso. As duas barras de luz vermelha vão pela mesma razão, uma tapada e outra destapada: se me magoar a sério, acendo logo a destapada para que me vejam de longe, e a tapada, que não apanhou a luz que as estraga, fica intacta para quando não é tão grave.
O truque mais barato da lista é enrolar fita americana boa à volta de um cartão qualquer ou do cartão de cidadão caducado. A boa cola sobre si mesma sem perder aderência, por isso fica pronta para reparar material ou para uma emergência. E abraçadeiras, muitas abraçadeiras.

Se te perderes num campo de bosque, a app da Plairsoft tem um mapa tático para jogos e eventos. Vem desligado: quem o liga é o campo ou o organizador, por isso pergunta se essa milsim o usa. Partilhar a tua posição é opcional e só a veem os da tua facção, a organização pode mandar a todos avisos de cessar-fogo, de retomar, de reagrupar ou de fim, e qualquer jogador tem um botão de SOS.
Água e comida para dois dias
Para mim a hidratação é o mais importante, porque sem comer aguenta-se muito mais do que sem beber e numa milsim vais transpirar e andar imenso. Levo 5 ou 6 litros por fim de semana porque sei que bebo muito e porque a comida que uso é liofilizada e precisa de água. Ao sair em missão meto nas bolsas saquetas de água de 100 ml, de 600 a 800 ml no total, e com a mochila de assalto juntaria uma garrafa pequena.
Fora do acampamento comes o que cabe numa bolsa: barras, chocolate, carne seca pela proteína e um par de géis de cafeína, que dão muito jeito quando se aproxima a noite ou chega o segundo dia e o cansaço bate muito forte. Leva coisas de que gostes, porque numa milsim também é preciso enganar a cabeça, e umas bolachas secas que não te apetecem não te dão nem energia nem vontade. Eu levo sempre umas saquetas de creme de cacau para comer pelo caminho. Calcula as rações principais e leva poucos extras, porque o espaço e o peso contam.
Tudo o que abres fica contigo até ao acampamento. A bolsa de descarga dos carregadores serve-me de saco do lixo: num tiroteio o carregador vazio só passa por lá um momento, por isso as embalagens do fundo não incomodam.
Dormir no campo sem passar frio
Para uma pessoa só recomendo uma tenda de dois lugares daquelas que se abrem sozinhas quando as atiras, que custava uns 65 euros em abril de 2024; a minha é de três, para meter também a mochila. À noite fecho-a com abraçadeiras, porque se alguém tentar entrar faz barulho e dás por isso. Por baixo vão uma esteira normal que isola do chão e outra insuflável que se enche com dez ou quinze sopros. O saco-cama era de conforto a 10 graus para umas noites de 6 ou 7, com uma manta de sofá por cima e saquetas de calor para o caso de arrefecer mais do que o previsto.
Nem sempre há tanto. Na milsim do México dormimos numa tenda emprestada e com um só saco-cama para os dois, e na de França, em bivaque, com a esteira insuflável, o isolante e um poncho que se fecha e faz de saco-cama.
O visor noturno não fica na tenda. Neste hobby já houve roubos de visores, e o meu vai sempre comigo na mochila.
Roupa seca, pés e óculos
A passagem da tarde para a noite é o momento de vestires roupa seca, e não só as calças: se ficares com as cuecas húmidas da manhã toda, a humidade continua lá. Com cuecas e calças novas começas a parte noturna fresco. Com os pés, o mesmo: em cada pausa, mesmo que seja de meia hora, botas e meias fora, e se estiverem muito húmidas, troca por umas novas. As botas, confortáveis e impermeabilizadas com spray um par de dias antes, tal como a parte de baixo das calças, porque pisar uma poça logo à saída do acampamento pode estragar-te a milsim.
Para o frio das pausas levei um casaco de 10 euros (preço de 2024) que não respira, mas aquece, e com chest rig vestes-o por cima e continuas a ter tudo à mão. Contra a chuva, poncho ou casaco impermeável, e o que vai dentro da mochila em sacos com fecho zip, para que com um aguaceiro só se molhe por fora. Vários militares contaram-me que usam caixas de plástico, tipo tupperware, que essas sim fecham por completo.
Na higiene vão toalhitas grandes e desodorizante em creme. A pá dobrável ficou-me no carro, mas leva-a: com ela fazes um buraco e tapa-lo depois, por higiene e por respeito pelos outros.
Jogo com lentes de contacto, e para aquela milsim levava umas gotas que as hidratam, para pôr na zona segura a cada quatro ou seis horas e tirar as lentes à noite. Se usas óculos graduados, as opções estão em óculos de airsoft graduados: sejam quais forem, têm de ser fechados e ter certificado de impacto (EN 166 com B, ou EN ISO 16321-1 com D). Põe-lhes antiembaciamento antes de saíres e leva o frasco para as pausas.
Os primeiros socorros a sério e os do jogo
O kit pessoal vai numa bolsa de cintura que só uso para isso: compressas, luvas, marcadores para apontar a hora ou o que se passa com alguém, uma tesoura corta-roupa, pensos e soro fisiológico. Para mim levo ainda analgésicos, rebuçados para a garganta, que à noite costuma ressentir-se, e uma pomada anti-inflamatória.
Não o mistures com o material do jogo. Os tratamentos dentro do jogo fazem-se com o material de jogo e o kit a sério fica para o que acontecer de verdade, e as regras desses tratamentos define-as cada organização. Em La Fundición, em Logroño, os sistemas de tratamento são cada vez mais elaborados. No México davam-te duas vidas por missão, e se as perdesses voltavas à base à espera da seguinte. Lê essa parte do regulamento duas vezes, porque é ela que decide quanto tempo passas a jogar e quanto passas no chão.
A viagem, a chuva e com quem partilhar a tenda
A viagem conta. Para a milsim de França, que começava numa sexta-feira, saímos na quinta para fazer as oito horas de carro e chegar descansados. Na do México, a 2.000 metros de altitude, ainda por cima com a diferença horária e só um dia de adaptação, o cansaço pesou-me muito mais do que o normal. Se é a tua primeira milsim de fim de semana longe de casa, faz contas: em quanto custa jogar airsoft estão a gasolina e as portagens de uma viagem a um campo.
O tempo também manda. As réplicas sofrem com chuva forte, e num dos jogos da milsim do vídeo de junho de 2024 muitos jogadores tiveram de desistir antes do tempo porque as réplicas começaram a falhar. Pergunta à organização o que acontece se chover e, com dias de margem, revê a réplica, os carregadores e as baterias e leva em duplicado o que se possa partir.
Com quem vais. O melhor, antes de pagar, é perguntar a quem já lá tenha estado. Na app da Plairsoft os grupos procuram-se por zona e por tema e entra-se sem pedir autorização a ninguém: no de MILSIMS podes perguntar por essa organização antes de comprares o bilhete, e no do teu distrito, procurar com quem partilhar carro e tenda.
Se já jogam juntos, criar a equipa na plataforma dá-vos um chat próprio para dividir tendas, carros e comida. Numa equipa entra-se por convite, por isso pede a alguém de dentro que te convide.
O que verificar ao comprar o bilhete. As milsim que estão na Plairsoft como evento aparecem no cartaz de milsims em Portugal, e nessas cada um compra o seu e fica em nome de quem o compra, por isso não contes com um amigo para to comprar. Se depois não puderes ir, a app diz-te quanto recuperas antes de confirmares o cancelamento, conforme o prazo e a percentagem definidos por esse evento; se for o organizador a cancelar, devolvem-te 100 % do que pagaste com cartão sem teres de o pedir. As milsim que os campos publicam como jogo normal aparecem nos jogos da Plairsoft, com data, preço e vagas.
O que esperar da tua primeira milsim
Mais tensão do que tiros. A minha primeira milsim foi em La Fundición. Na que publiquei em novembro de 2024, de oito horas, uma aldeia inteira de jogadores fazia de civis: ofereciam-te comida, fumavam narguilé e jogavam futebol enquanto o lado em que jogavas cumpria a missão. Se o levares a sério, não confias em ninguém e em momento nenhum te sentes a salvo, porque a aldeia pode emboscar-te ou montar-te uma armadilha. Naquele dia, entre os jogadores do lado da NATO, os alertas de bomba subiram tanto que foi preciso pôr em campo os desativadores de explosivos.

Horas a andar e a esperar. Em França, no fim da missão do primeiro dia, tivemos de andar quase duas horas com visores noturnos em plena escuridão até à extração, e o assalto do dia seguinte começou com quase uma hora deitados no bosque sem fazer barulho. No México estivemos meia hora escondidos num canto do aeroporto à espera de que passassem os jogadores do lado inimigo, para os apanharmos pelas costas. Há missões em que te calha guardar uma zona onde não se passa nada, e uma milsim aborrecida não é uma burla: às vezes calha-te a missão boa e às vezes a outra.
Não vais saber de tudo. Num jogo com guião e várias esquadras é muito difícil que todos saibam o que se está a passar, e é fácil pensar que o lado contrário fez mais do que tu. Só soube do laboratório que simulava fabricar fentanil, na TACSIM de La Fundición que publiquei em maio de 2025, quando ela já tinha acabado. Se estás parado há horas, pergunta ao teu chefe de esquadra o que se passa no resto do campo.
Antes de saíres, pega no regulamento e nesta lista e risca o que a organização já disponibiliza. Depois carrega a mochila e sai com ela uma tarde para o monte: se alguma coisa estiver a mais ou te incomodar, tira-a antes da milsim.

Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft
O Aritz joga airsoft há anos e conta-o no seu canal de YouTube. Já jogou em Espanha, na Bélgica, no México e na Colômbia, fez cursos de CQB e de tiro com instrutores vindos do meio militar e compete nos Tactical Games. O que assina aqui sai do que testou e gravou em primeira mão.
Edição: equipa da Plairsoft




