Airsoft no México: o que diz a lei e como se joga lá
O airsoft é legal no México até 140 joules. O que diz a lei federal, o que pede a alfândega e como é uma milsim a 1,6 joules com pirotecnia real.
Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft

Neste artigo
- O airsoft é legal no México?
- Quanta potência se usa no airsoft no México
- Trazer uma réplica de fora: a alfândega e a autorização da Defesa
- O que pedem os clubes para começar a jogar
- Como é uma milsim de airsoft no México
- Pirotecnia real nos jogos
- Calor, humidade e cobras no sudeste
- Se vais jogar no México a partir de Espanha
Sim, o airsoft é legal no México. A Ley Federal de Armas de Fuego y Explosivos, a lei federal mexicana das armas e dos explosivos, no texto em vigor que a Cámara de Diputados publica (última reforma no Diario Oficial de la Federación de 29 de maio de 2025, lido a 22 de outubro de 2026), permite as armas de gás, ar comprimido ou pistão que não passem dos 140 joules, com o uso limitado ao local onde são utilizadas. Uma réplica fica muito longe desse número. O que exige papéis é trazê-la de fora: segundo um guia de importação de 2016 do SAT, a autoridade tributária e aduaneira do México, as de gás comprimido precisam de uma autorização extraordinária da Secretaría de la Defensa Nacional, o ministério da Defesa mexicano.
É no jogo que se nota que não estás em Espanha. Na milsim que joguei em San Luis Potosí em 2025, as espingardas de assalto iam a 1,6 joules e havia pirotecnia a sério por todo o lado. Foi a minha segunda viagem: a terra maia do sul do país conquistou-me no verão de 2022, e voltei três anos depois para a milsim e para jogar com a equipa de Mérida que me acolheu da primeira vez.
O airsoft é legal no México?
Desde a reforma de 2025, a lei federal di-lo com um número. O que te afeta está em três artigos do texto em vigor da Ley Federal de Armas de Fuego y Explosivos, consultado a 22 de outubro de 2026:
- Artigo 13. São permitidas as armas acionadas por gás, ar comprimido ou pistão com 140 joules de energia ou menos, mas o seu uso tem de se limitar ao local ou sítio onde são utilizadas. Se as transportares para praticar um desporto, tens de o poder demonstrar.
- Artigo 1o Bis. Acima desse limite, a lei põe as armas de gás, ar comprimido ou pistão na categoria das armas de fogo.
- Artigo 10. A lista de armas que os atiradores e caçadores inscritos num clube podem ter inclui, desde a reforma de 2025, as de gás, ar ou pistão acima desse limite. As que ficam abaixo não estão nessa lista: continuam no artigo 13.
Se levas a réplica no carro, o artigo 13 exige que possas demonstrar que vais jogar. A lei não diz com que papel se demonstra, por isso pergunta no teu clube o que costumam levar consigo e leva-a guardada, nunca à mão.
Os estados e os municípios também fazem regras próprias, e nem sempre falam do airsoft. O Congreso de Sinaloa, o parlamento desse estado, aprovou a 30 de janeiro de 2025, segundo o seu próprio comunicado, uma reforma da lei estadual de segurança pública que encarrega os municípios de emitirem a regulamentação para proibir a venda de brinquedos que imitem armas de fogo reais e não cumpram a norma NOM-161-SCFI-2003. O comunicado não nomeia o airsoft, por isso não permite saber como cada município a aplica. Se vives em Sinaloa ou num estado com normas parecidas, pergunta no teu clube ou na câmara municipal antes de comprar.

Quanta potência se usa no airsoft no México
Abaixo do teto da lei, o limite é definido por cada organização, e na milsim de San Luis Potosí estava bastante mais alto do que em Espanha: as espingardas de assalto podiam ir a 1,6 joules a zero metros de distância de segurança, e as restantes funções subiam na mesma proporção. Com essa potência as bolas chegam bastante mais longe e, ao entrar num CQB, os impactos sentem-se. Depois da primeira missão resumi-o para a câmara à minha maneira: lá as réplicas iam mais fortes, as bolas cravavam-se neles e ninguém se queixava, e em Espanha, com 1,14, queixamo-nos.
Na tabela de potências da Plairsoft, que reúne ficha a ficha o limite dos campos de Espanha (medição de 17 de setembro de 2026), 64 dos 73 campos que publicam o da espingarda de assalto, quase nove em cada dez, deixam-no nos 350 fps, que com bola de 0,20 g são 1,14 joules. A potência daquela milsim equivale a uns 415 fps com essa mesma bola. Se o regulamento de um jogo a indica em joules e o teu cronógrafo mede em fps, converte-a com a calculadora de fps para joules e o peso da tua bola. E se jogas em Espanha, vê o limite na ficha do campo na Plairsoft antes de ir: em setembro de 2026 pouco mais de metade dos campos o publicava, e se não estiver, pergunta.
O que muda ao jogar a zero metros e que distâncias mínimas os campos usam está explicado no artigo sobre a distância de segurança no airsoft. Se vais jogar num sítio novo no México, pergunta antes a quanto se cronografa cada função e se há distância mínima, porque muda de uma organização para outra.

Trazer uma réplica de fora: a alfândega e a autorização da Defesa
Trazer uma réplica de fora exige papéis, mesmo sendo legal dentro do país. Duas fontes oficiais dizem-no, e as duas continuavam publicadas a 22 de outubro de 2026:
- O acordo das mercadorias reguladas pela Defesa (Diario Oficial de 1 de novembro de 2022, o último que encontrámos) põe na posição pautal 9304.00.99 as armas de gás comprimido em recipientes sob pressão, como as de CO2, e deixa de fora as de ar comprimido por mola e pistão.
- O guia «Importación de armas a México» do SAT, um PDF de 2016, resume-o numa tabela. Sem autorização extraordinária passam as armas de ar de mola e pistão, as suas peças e acessórios, e as munições de ar e de gás, com as bolas de gotcha, como lá chamam ao paintball. Precisam de autorização extraordinária da Defesa as armas desportivas de gás comprimido, e o guia dá como exemplos o gotcha e o airsoft, os seus acessórios e as miras telescópicas e laser. Os visores noturnos e térmicos só são autorizados a forças de segurança pública.
O guia não fala de réplicas elétricas, por isso não te podemos dizer como a alfândega classifica a tua. Antes de comprar numa loja de fora, pergunta a um despachante aduaneiro.
Se viajas a partir de Espanha, o conselho que dou para qualquer país também vale aqui: liga para a companhia aérea e escreve à alfândega do país para onde vais antes de meteres alguma coisa na mala. Na milsim joguei com as réplicas do Alex, um rapaz que vê os meus vídeos e que conduziu mais de três horas só para me emprestar a MWS dele e para eu jogar como em casa. Se a tua ideia é viajar com réplicas, o passo a passo para as transportares a partir de Espanha está no artigo sobre como transportar réplicas de airsoft.
O que pedem os clubes para começar a jogar
A Plairsoft ainda não tem campos no México: a 15 de outubro de 2026 tem-nos em Espanha, Portugal e Colômbia. No México o primeiro passo é um clube ou uma equipa da tua cidade, e cada um tem as suas condições. Como referência serve o que explicava, numa entrevista do canal de agosto de 2022, um jogador de um clube da península de Yucatán: o clube dele pedia identificação, um certificado de registo criminal (a «carta de antecedentes no penales») e uma «responsiva» assinada, um termo em que assumes os riscos, e isso mudava de um estado para outro. Já passaram uns anos, por isso toma-o como o que pedia um clube concreto e pergunta no teu.
Se és do México e ainda nunca jogaste, o artigo sobre o que é o airsoft explica como funciona um jogo, para leres antes de procurares clube.
Arranjar material é outra história. Em 2025, o Jonathan, da equipa de Mérida, dizia-me que o que mais lhes custa lá é o envio, e que o spray de camuflagem que usavam antes já não lhes é enviado. Se vais comprar fora, conta com a demora e escolhe com calma: uma compra errada paga-se com outra espera. Para perguntares antes a quem já jogou ou comprou noutros países, os grupos da Plairsoft pesquisam-se por zona, por tema e por idioma.
Como é uma milsim de airsoft no México
A viagem já foi uma aventura. As cinco horas de estrada até San Luis Potosí transformaram-se em oito porque apanhámos três acidentes pelo caminho, e aproveitámos para parar em Querétaro e provar a barbacoa e o consomé. Era a minha primeira milsim fora da Europa, e só tive um dia para me adaptar: joguei-a com a diferença horária em cima e a mais de 1.800 metros de altitude, quando eu vivo ao nível do mar. Nota-se no cansaço, embora não me tenha impedido de jogar.
O jogo foi num parque urbano enorme dentro da cidade. Reservaram algumas zonas para jogar, o parque e as autoridades estavam a par, e mesmo assim o jogo decorria no meio de civis. A mim isso pareceu-me estranho, e eu teria delimitado melhor as zonas por segurança.

Calhou-me o lado dos mercenários, que em vez de base tinha carrinhas que faziam de respawn e nos levavam de uma missão para outra. Cada jogador tinha duas vidas por missão, e se as gastasses cedo voltavas ao quartel à espera da seguinte. Gostei desse sistema.
A primeira missão foi defender um edifício contra uns 150 inimigos, e passaram-nos por cima: com tanta gente metida em tão pouco espaço, pareceu-me um bocado extrema e louca. Na segunda diverti-me imenso. Tínhamos de defender um aeroporto, um descampado sem um único abrigo, contra dois grupos gigantes, e o líder do nosso lado lembrou-se de pôr sete de nós à espera, escondidos num canto. Obrigaram-nos a dar meia hora de vantagem a partir do momento em que passaram à nossa frente, a organização não nos disse onde estavam e por pouco não fomos pelo caminho errado, mas a emboscada resultou.
À noite também jogámos, sem visor nenhum. Um amigo que durante o dia tinha feito de operador de câmara e eu tentámos contornar o inimigo por trás, acabámos numa zona de mato pelos joelhos com medo de que nos mordesse uma víbora, e quando por fim lhes chegámos às costas o jogo acabou sem termos eliminado ninguém. Na manhã seguinte veio aquilo de que mais gostei: um CQB num parque aquático abandonado, entre escorregas e piscinas vazias, onde teria ficado mais duas ou três horas. Se estás a pensar na primeira, o que convém levar e o que vais encontrar está no artigo sobre a tua primeira milsim.

Pirotecnia real nos jogos
A outra coisa que te deixa de boca aberta são os explosivos. Ao acabar a primeira missão disse para a câmara que em dois minutos não conseguia contar tudo o que, em termos legais espanhóis, ali se tinha infringido. Tinha a sensação de que quem levava menos explosivos carregava uns cem, e atiravam-se granadas como se fossem bolas de ténis. Que granadas se usam nos campos espanhóis e como funcionam está no artigo sobre granadas no airsoft.
Eu joguei com um RPG pirotécnico fabricado por um jogador mexicano, e pelo que sei essa pirotecnia é supervisionada pelo Governo e a sua venda é legal lá. A Ley Federal de Armas de Fuego y Explosivos conta os pirotécnicos entre os artifícios (artigo 1o Bis) e deixa o controlo e a vigilância do seu fabrico e comércio à Secretaría de la Defensa Nacional, que dá as autorizações (artigo 37). A lei não fala do airsoft, por isso joga só com a que a organização te der ou te explicar.

Quem o fabrica explicou-me como funciona. A ogiva explode dois segundos depois do disparo, esteja onde estiver, com um alcance máximo de uns 60 metros, e no RPG fica-se por uns 50 porque parte da força sai por trás, como sopro traseiro. As de mão levam uma espoleta de tamanho real com alavanca, ou um sistema de fricção como o das granadas alemãs da Segunda Guerra Mundial: puxas, começa a soltar faíscas, atiras e demora cinco ou seis segundos a rebentar.
No jogo disparei o RPG quase sempre para o ar, que foi o que me pediram para não haver sustos. Era a minha primeira vez com uma coisa assim, e com civis à volta também não me sentia à vontade a apontar perto de outros jogadores. Se algum dia jogares com pirotecnia, faz o mesmo até alguém da organização te explicar onde e como se pode usar.
Calor, humidade e cobras no sudeste
De San Luis desci a Mérida, no Yucatán, para jogar com a equipa de lá. O calor não abranda nem à noite: às nove menos vinte perguntei-lhes como conseguiam viver o ano inteiro com aquela temperatura, e o Jonathan respondeu-me que nem suava.
Com tanta humidade, o embaciamento é a primeira preocupação. Nas Caraíbas mexicanas joguei com uma humidade como poucas vezes voltei a encontrar, e os óculos não me deram problemas graças ao antiembaciamento; como se aplica está no artigo sobre óculos de airsoft. Eu pensava que, com tanta humidade, o gás sem silicone rendia mais nas GBB, as réplicas de gás com recuo, até jogar com a MWS e gás com silicone na selva maia e na colombiana: com o sistema bem afinado não é assim tão relevante e é mais uma questão de gosto.
As botas contam a dobrar, porque há cobras. Levei umas polainas anticobras, o Jonathan dizia-me que nunca tinha visto uma no campo, e vimos duas. Como chovia pouco, as vespas bebiam do meu uniforme e do capacete, pelo menos sem picar. E, numa réplica de gás com que joguei lá, soltou-se o encaixe do depósito de gás do carregador no quarto jogo em que foi usada.
O pior foi a comida. Ao segundo dia apanhei uma intoxicação alimentar, passei três dias de cama e acabei no hospital com 38 e meio de febre. Joguei várias rondas no sábado porque não me queria ir embora sem a experiência, mas nessa noite tive uma recaída e no domingo só pude ir cumprimentar.
Se vais jogar no México a partir de Espanha
Não é preciso montar uma viagem como esta. Se vais de férias, muitas vezes basta ver que jogos há na zona e escrever a um campo ou a um clube: estou convencido de que te vão receber de braços abertos e arranjar-te material para pelo menos experimentares. Pergunta com tempo o que te pedem como estrangeiro e a quanto cronografam, viaja sem réplica e deixa um dia para te habituares ao fuso horário e ao clima.
Se a tua viagem pela América Latina passar pela Colômbia, aí já podes ver na Plairsoft os campos e os jogos antes de ir. E se ainda não jogaste em casa, começa por jogar em Espanha, num jogo de domingo da tua província que encontres na Plairsoft: é a melhor forma de saber o que vais encontrar lá fora.
Eu, das duas viagens, fico com as pessoas: as gargalhadas nas carrinhas e no acampamento da milsim, e a equipa de Mérida. E ficou-me a vontade de voltar, desta vez para jogar em Monterrey.

Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft
O Aritz joga airsoft há anos e conta-o no seu canal de YouTube. Já jogou em Espanha, na Bélgica, no México e na Colômbia, fez cursos de CQB e de tiro com instrutores vindos do meio militar e compete nos Tactical Games. O que assina aqui sai do que testou e gravou em primeira mão.
Edição: equipa da Plairsoft



