Arma secundária no airsoft: qual levar e que coldre escolher
Que arma secundária levar no airsoft, que coldre não a deixa cair a correr, a que altura pendurá-la e quanta potência lhe permitem hoje os campos.
Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft

Neste artigo
- Quando precisas de uma secundária e quando podes jogar sem ela
- Pistola, submetralhadora ou caçadeira
- Como um coldre segura a pistola: retenção passiva e ativa
- Que coldre comprar para airsoft
- A que altura levá-la: anca, adaptador de descida, perna ou peito
- Carregadores de pistola: quantos e onde os levar
- Como passar da principal para a secundária
- Que potência permitem os campos à pistola
- Por onde começar se vais comprar a tua primeira secundária
Para quase toda a gente, a secundária no airsoft é uma pistola a gás metida num coldre rígido que a segure mesmo quando corres, pendurado um pouco abaixo da anca. Sacas dela quando alguém está mais perto do que a distância a que te deixam disparar a réplica principal, quando entras num edifício ou quando a principal fica sem bolas ou falha. A pistola dispara com menos potência do que a espingarda de assalto: nos campos de Espanha que publicam na Plairsoft o seu limite para pistola, a mediana era de 328 fps com bola de 0,20 g, um joule, na medição de 17 de setembro de 2026.
A réplica é a parte fácil. O que mais falha é o coldre: nos Tactical Games desclassificaram dois concorrentes cuja pistola saltou do coldre ao bater numa caixa. Por isso, aqui o coldre ocupa mais espaço do que o modelo de pistola.
Quando precisas de uma secundária e quando podes jogar sem ela
A secundária existe porque a principal nem sempre se pode usar. Muitos campos impõem uma distância mínima à réplica longa, e abaixo dessa distância só te resta a pistola. Se jogas como atirador designado, essa distância pode subir até aos 20 ou 25 metros, consoante o campo, e é por isso que, na função de DMR, levar uma boa pistola é quase obrigatório: assim que o jogo entra num edifício, o DMR fica pendurado ou vai para as costas e joga-se com ela. O mesmo acontece ao sniper.
Os interiores são o outro grande motivo. No CQB, corredores e divisões a poucos metros, uma réplica curta move-se melhor e muitas vezes é a única que te deixam disparar tão perto. E depois há o imprevisto: a pistola dá-te uma segunda réplica quando a principal fica sem munições ou te falha a meio do jogo, e continuas a jogar enquanto decides se vale a pena arranjá-la ali.
Também há quem tenha deixado de a levar. Num vídeo de 2024 entrevistei um jogador que recria os Rangers e que já não levava pistola por causa dos tipos de jogos de airsoft que jogava: nuns podia disparar-se a zero metros, e os outros eram milsim em que muito poucas vezes ia encontrar alguém tão perto. Em vez dela levava mais um carregador de espingarda à mão. Oxalá, com o tempo, haja mais campos em Espanha que deixem jogar a zero metros e a pistola passe a ser opcional para cada jogador. Enquanto isso não acontece, se todos os campos da tua zona te obrigam a manter cinco metros de distância com a principal, precisas dela, embora, se não a vais usar muito, te possa chegar uma barata.
Antes de comprar, vê as regras do sítio onde jogas. Na Plairsoft, cada jogo publica os seus limites de potência por tipo de réplica, pistola incluída. Procura o teu campo na pesquisa de campos e, se a ficha do campo não disser a distância mínima, envia-lhe uma questão privada a partir dali: respondem o dono e os administradores, e poupas-te a comprar uma coisa que lá não vais usar.
Pistola, submetralhadora ou caçadeira
| O que tem de bom | O senão | |
|---|---|---|
| Pistola | Pesa pouco, sai depressa do coldre e há muitas peças de substituição | Os carregadores a gás são caros |
| Submetralhadora | Mais cadência e mais bolas por carregador | Pesa, ocupa espaço e nem sempre conta como secundária |
| Caçadeira | Várias bolas por disparo | Demora a sair e atrapalha se já levas uma espingarda |
A pistola, quase sempre a gás
Do que eu gosto numa pistola a gás é do recuo do blowback. Nunca usei pistolas elétricas nem as recomendaria, embora na função de sniper se vejam bastantes, porque aí pesa mais o silêncio do que a sensação ao disparar.
No inverno, uma boa pistola a gás continua a disparar se escolheres bem o que lhe pões: cheguei a jogar a três graus negativos em Madrid sem problemas. Onde é preciso ter cuidado é ao passar para um gás mais forte. Numa de plástico, pôr-lhe um gás mais potente do que a temperatura pede força o mecanismo, e acaba por rebentar a corrediça. Como vais usar a pistola em momentos muito pontuais, mais vale dar quatro ou cinco tiros com um gás suave do que forçá-la.
Ao preço da pistola soma o que não vem na etiqueta: o coldre e os carregadores, que numa a gás são caros. No início de outubro de 2026, em lojas espanholas, um da Tokyo Marui para Glock custava entre 32 e 38 euros, e um de Hi-Capa da WE, entre 26 e 35. Com dois de reserva e um coldre, uma pistola de 80 euros passa dos 150. Se quiseres ver quanto vale de verdade cada modelo em segunda mão, no marketplace da Plairsoft há pistolas que outros jogadores vendem. A Plairsoft põe-vos em contacto, mas não intervém na venda, por isso experimenta a pistola antes de pagar. Que modelo comprar dá para outro artigo.
A submetralhadora
Uma submetralhadora pequena dá-te o que te faz falta quando a principal fica sem bolas: mais cadência e um carregador maior. O senão é que pesa bastante mais do que uma pistola, tens de encontrar onde a pendurar e nem sempre te deixam levá-la como secundária. Na Plairsoft cada jogo publica o limite de pistola, caçadeira, espingarda de assalto, apoio, DMR e sniper, e a submetralhadora não tem limite próprio, por isso pergunta no campo com que limite a vão medir no cronógrafo. Quais compensam e com que potência disparam está explicado em submetralhadoras de airsoft.
A caçadeira
Eu via as caçadeiras como secundárias até jogar com uma e perceber que, pelo menos aquela, ia usá-la como principal. Uma secundária tem de estar à mão, e largar a espingarda, tirar a caçadeira das costas e voltar a guardá-la rouba-te tempo demais. A não ser que seja muito pequena e vá numa bolsa feita para ela, não cumpre o que se pede a uma secundária. O que acho mais fácil é levá-la nas mãos e tirar a pistola do coldre quando é preciso, como conto em caçadeira de airsoft.
Como um coldre segura a pistola: retenção passiva e ativa
Um coldre pode segurar a pistola de duas maneiras. A retenção passiva é a do próprio material: o atrito ou o clique com que a pistola entra num coldre rígido ajustado a ela. A ativa é um mecanismo que tens de soltar com o dedo para a tirar, uma alavanca, um arco ou um botão. Os coldres classificam-se por níveis, consoante o número de bloqueios que tens de soltar:
- Nível 1, sem bloqueio. Os coldres de tecido baratos que tanto se veem no airsoft e os de Kydex sem alavanca.
- Nível 2, um bloqueio. Uma alavanca ou um arco que soltas com o polegar ao sacar. Para airsoft é mais do que suficiente.
- Níveis 3 e 4, dois bloqueios ou mais. Pensados para polícias que não querem que ninguém lhes tire a arma. Aqui estão a mais.

Ao ler a ficha de um coldre, tem em conta que a numeração muda consoante o fabricante. A Safariland, que foi quem começou a pôr níveis, conta os gestos necessários para sacar: o coldre Safariland de uma só alavanca de polegar é de nível 1, o que aqui chamo nível 2, e um coldre que só segura por atrito nem sequer tem nível para eles. Vê quantos bloqueios leva, não o número.
O coldre de tecido, o primeiro que eu descartaria
Com os de tecido baratos já me chegou a saltar a pistola enquanto corria, e a vários amigos aconteceu o mesmo. Há alguns de mais qualidade, com fecho de botão e velcro, que já a seguram, mas são lentos: tens de abrir o fecho, tirá-la e, ao guardá-la, lembrar-te de voltar a fechá-lo para não a perderes. Se gostas deles pela estética ou porque recrias uma unidade que os usa, escolhe um dos bons. E ser de marca militar não o torna melhor: um de tecido da Warrior Assault Systems que mostro no vídeo não aceita pistolas com ponto vermelho, porque a mira prende e fica de fora.

Eu descartei-o há algum tempo por uma conta simples: quando já levas em cima 50 euros de mira, a lanterna e a própria pistola, não apetece arriscar perdê-las pelo campo.
O que aconteceu nos Tactical Games
A retenção passiva pode bastar se estiver bem feita, e comprovei-o nos Tactical Games, uma competição que mistura provas físicas com tiro com armas de fogo reais. Numa das provas era preciso fazer burpees por cima de uma caixa muito grande. Dois concorrentes bateram com o coldre de Kydex na caixa, a pistola saltou e foram desclassificados. A mim aconteceu-me o mesmo: o coldre bateu na caixa por baixo e a pistola continuou no lugar. O meu coldre não tinha alavanca nem botão; segurava-a um clique do Kydex muito forte, que se pode ajustar, e o fabricante mandou-me até quatro protótipos antes de acertar num que não se soltasse.
Num jogo de airsoft ninguém te desclassifica, mas a pistola perde-se na mesma. Antes de estreares um coldre, experimenta-o em casa com a réplica descarregada e sem carregador: mete-a, vira o coldre de boca para baixo, dá-lhe duas sacudidelas e vê se se mexe.
Que coldre comprar para airsoft
Para airsoft recomendo a cópia barata do Safariland de nível 2 em vez do original. Em abril de 2026 a cópia andava pelos 30 euros comprada na internet, e um Safariland original de nível 3, como o que mostro ao lado no vídeo, passava dos 200. São dois mundos em qualidade, mas a cópia aguenta: a minha, em MultiCam, uso-a há uns três anos sem me ter dado problemas. Uma cópia é para airsoft, nunca para uma arma de fogo, porque há bastante gente que acaba com a peça da retenção partida, e com uma arma real carregada isso não se arrisca.
Se mudas muitas vezes de pistola, os coldres universais da Warrior Assault Systems ajustam-se a quase qualquer uma e têm versão para canhotos, que é o mesmo coldre em espelho. Usei um durante um par de anos e adorei; a pistola fica firme e basta carregar na alavanca para a tirar. O senão deles é que não aceitam lanterna. E se o procuras para a tua mão, pensa na mão com que disparas a pistola, que nem sempre é a da espingarda: o jogador dos Rangers de que te falava acima é destro com a espingarda e canhoto com a pistola.
Os de Kydex são os que melhor se adaptam ao que tiveres montado. Fazem-se para o teu modelo de pistola e para a tua lanterna, e se não houver molde para a tua combinação fazem-to à medida, um pouco mais caro. Muitos coldres, de Kydex ou do tipo Safariland, podem montar-se com o sistema de engate rápido da Safariland, o QLS: deixas fixa no cinto ou no adaptador de descida a peça que recebe o coldre e trocas de coldre num instante, consoante a pistola que levares nesse dia.

Antes de comprar, confirma que o coldre aceita o que puseste na pistola. Muitas cópias de Safariland não deixam entrar um ponto vermelho, e os originais costumam vir pensados para uma lanterna concreta: outra pode entrar ou não, e com o que custam não é coisa para tentar a sorte. Se puderes, experimenta a tua pistola no coldre de um amigo. No marketplace da Plairsoft há coldres que outros jogadores vendem, e aí isso de o experimentar antes de pagar vale ainda mais.
A que altura levá-la: anca, adaptador de descida, perna ou peito
Quase sempre vai no cinto, de lado. O que muda é a altura, e nota-se ao sacar e ao correr.
À altura do cinto levas o coldre colado ao corpo, mas para sacar a pistola tens de dobrar o braço todo até uma posição bastante incómoda, e o coldre pode bater no colete ou no porta-placas. Com a minha primeira pistola de airsoft, uma WE que me durou cinco anos, usei assim o coldre durante muito tempo, e recomendo sempre que fique um pouco abaixo da anca.
Com um adaptador de descida, uma peça que deixa o coldre mais abaixo do que o cinto, fica num plano onde não incomoda, apoia-se na perna e a mão cai-lhe em cima descontraída. De todas as formas que experimentei, é a mais cómoda.
Na perna, com uma perneira, muita gente defende que, de pé, é o prolongamento do braço. O problema está ao correr: o coldre do cinto acompanha o movimento da anca, e o da perna anda por conta própria, por isso, se sacas em andamento, estás a lutar contra ele. Vejo muitas perneiras no airsoft e não me parecem cómodas, embora seja coisa de cada um.
No peito viu-se muito no Iraque, e hoje é sobretudo coisa de quem conduz veículos, que passa a pistola do cinto para o colete para a ter à mão ao volante. Rouba-te muito espaço útil do colete, e a partir do cinto saca-se com mais comodidade.
Se jogas com um chest rig e sem cinto, há outra saída: a pistola cabe em alguns porta-carregadores duplos da frente. No meu equipamento de reconhecimento a pistola cabe num deles, para os dias em que não quiser levar o cinto de primeira linha. E se vais completar o colete com pouco dinheiro, uma bolsa com a pistola e dois carregadores permite-te adiar a compra do coldre. Deixa livre o lado do colete por onde a vais tirar, para que a mão não tropece em nada.
Carregadores de pistola: quantos e onde os levar
Num jogo de domingo estás bem servido com o que vai na pistola e um ou dois de reserva. Com o que custa cada um, não compres mais do que vais usar; se quiseres poupar, no marketplace também há carregadores em segunda mão.
Importa mais onde os levas. No meu cinto de 2023 levava os dois de pistola deitados de lado, o que é muito prático. No de 2025, ao lado do coldre levo uma bolsa pequena de granada que, com um desenrasque, também me serve para um carregador de reserva nos dias em que o quero levar. Escolhas o que escolheres, não os mudes de sítio. O militar com quem treinei CQB em Maiorca faz o mesmo com a bolsa de descarga, que nunca muda de lugar: cada coisa que mudas é mais um gesto em que a tua cabeça tem de pensar, e com cansaço e stress nota-se.
Como passar da principal para a secundária
A transição é o que torna útil a secundária. Se para sacar a pistola tens de deixar a espingarda no chão, chegas tarde. Nessa sessão de Maiorca, o militar usava uma bandoleira de dois pontos ajustável e, ao largar a espingarda, rodava-a para dentro para que ficasse colada ao corpo e não lhe abanasse à frente enquanto sacava a pistola.
Há muito tempo que uso a de dois pontos, mas levo sempre pendurada no colete a clássica de um ponto, porque no airsoft dá muito jeito para deixar a réplica pendurada, coisa que com uma arma real nunca farias. Com um DMR ou uma caçadeira como principal o gesto é o mesmo: a principal pendurada ou às costas e a pistola na mão para a parte a curta distância. Se te falta a bandoleira, no marketplace há bandoleiras de outros jogadores.
Treina em casa com as duas réplicas descarregadas: largar a principal, sacar, apontar e voltar a guardar a pistola, sem olhar para o coldre. Dez minutos durante uns quantos dias e vais notar a diferença no primeiro jogo. E a pistola volta para o coldre com a retenção fechada, ou vais acabar à procura dela entre as folhas.
Que potência permitem os campos à pistola
Na medição de 17 de setembro de 2026, pouco mais de metade dos campos de Espanha na Plairsoft publicava o seu limite para pistola. Desses, quase metade punha-o nos 330 fps com bola de 0,20 g, um joule, e no total três em cada quatro deixavam-na nos 330 fps ou menos, abaixo dos 350 que quase nove em cada dez põem à espingarda de assalto: 19 % nos 305 fps ou menos e 58 % entre 315 e 330. Os 23 % restantes deixavam-na nos 345 ou 350 fps, quase o mesmo que a uma espingarda de assalto. A tabela de potências mostra-te como se repartem esses limites em toda a Espanha, e o do teu campo está na ficha do campo.

Esses limites verificam-se com cronógrafo à chegada ao campo, e a Plairsoft não verifica a tua réplica: isso cabe-te a ti. Se a tua vem medida em joules e o campo a pede em fps, ou ao contrário, a calculadora de fps para joules faz-te a conversão com o peso de bola que usares.
E não te esqueças da papelada. Em Espanha, segundo o Regulamento de Armas (RD 137/1993, art. 3) e a Ordem INT/2860/2012, no texto em vigor em outubro de 2026, uma pistola de airsoft semiautomática é uma arma da categoria 4.1, tal como a espingarda, e tem de estar documentada com o seu cartão de armas («tarjeta de armas»), que é emitido pela câmara municipal onde vives e que a acompanha sempre (art. 105). Com o cartão A, o da 4.1, documentam-se no máximo seis réplicas, e é válido até cinco anos. Cada município trata disto à sua maneira, por isso pergunta na tua câmara municipal.
Por onde começar se vais comprar a tua primeira secundária
- Primeiro a principal. Com ela já jogas, e a secundária pode esperar até saberes de que função gostas. Se ainda estás no básico, o que vem antes está em como começar no airsoft.
- Vê as distâncias e o limite de pistola do teu campo. Se podes disparar a principal a zero metros e não jogas em interiores, talvez ainda não precises dela.
- A gás, e com o gás que a temperatura pedir. Sem exagerar numa pistola de plástico.
- Conta com o coldre e os carregadores no orçamento.
- Um coldre com um bloqueio ou um Kydex que não deixe cair a pistola, e a transição treinada em casa antes de a estreares.

Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft
O Aritz joga airsoft há anos e conta-o no seu canal de YouTube. Já jogou em Espanha, na Bélgica, no México e na Colômbia, fez cursos de CQB e de tiro com instrutores vindos do meio militar e compete nos Tactical Games. O que assina aqui sai do que testou e gravou em primeira mão.
Edição: equipa da Plairsoft




