Glock de airsoft: qual comprar e em que se parece com a real
Que Glock de airsoft comprar (VFC com licença, Tokyo Marui, Saigo ou elétrica), preços de outubro de 2026, como se porta com frio e o que a separa da real.
Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft

Neste artigo
- Que Glock de airsoft comprar
- Glock 17 ou Glock 19 de airsoft
- Licença e marcações de uma Glock de airsoft
- Como funciona por dentro uma Glock a gás
- Glock a gás com frio: qual aguenta
- Que potência tem uma Glock de airsoft e qual é o limite do campo
- E uma Glock elétrica?
- Carregadores, coldres e ponto vermelho para a tua Glock
Se queres a Glock de airsoft mais parecida com a real, compra a Glock 17 Gen5 que a VFC fabrica com a licença da Umarex: tem as marcações da Glock e um recuo que se sente ao disparar, e em lojas espanholas custava de 180 a 190 euros em outubro de 2026. Se preferes que funcione o ano todo e que os tiros vão sempre ao mesmo sítio, a da Tokyo Marui, de 155 a 235 euros consoante o modelo. As da Saigo e da WE, de 80 a 135 euros, servem para começar, embora a Saigo dê falhas assim que a temperatura fica abaixo dos 15 graus. E se jogas como sniper e procuras silêncio, a SSE18 da Novritsch é uma Glock elétrica de 119 euros.
A pistola é a segunda compra. Se ainda não tens a réplica principal, lê primeiro a tua primeira réplica de airsoft, e se ainda não jogaste, como começar no airsoft. Antes de pagar uma Glock, vê na tabela de potências da Plairsoft que potência o teu campo permite na pistola. Quase tudo o que se segue sai de uma comparação de pistolas por preço que gravei em 2024 e de um dia na Polónia em que comparei uma Glock de airsoft com uma real ao lado de alguém que maneja Glock há muitos anos, um instrutor do Tercio Este, um grupo que dá formação de tiro lá.
Que Glock de airsoft comprar
A Glock é das pistolas mais vendidas do mundo e das mais copiadas no airsoft, por isso há imensas marcas a fabricá-la. Daí que o modelo (a 17, a 19 ou a 23) importe menos do que quem a fabrica: a mesma Glock de duas marcas pode funcionar melhor, pior ou dar falhas que a outra não dá. Antes de comprares uma, procura vídeos desse modelo exato dessa marca.
| Glock de airsoft | Preço em outubro de 2026 | Para quem |
|---|---|---|
| VFC com licença da Umarex (Glock 17 Gen5), a gás | 180-190 € | Quem quer o máximo realismo |
| Tokyo Marui (Glock 19 Gen3 ou Glock 17 Gen5 MOS), a gás | 155-235 € | Quem quer que funcione o ano todo |
| Saigo (Glock 23) ou WE (Glock 17), a gás | 80-135 € | Quem está a começar ou vai usar pouco a pistola |
| Novritsch SSE18, elétrica | 119 € | Quem não quer depender do gás |
Os preços são de lojas espanholas, sem promoções, e o da Novritsch, da própria web da marca. A GHK, também com licença, não está na tabela: com a da VFC, é a que mais se aproxima da real ao toque, mas não entrou no teste.
Na comparação de 2024 deixei clara a minha opinião: se procuras realismo, a da VFC com a Umarex é a melhor Glock em qualidade e preço, e em funcionamento a da Marui bate-as a todas, porque os tiros vão exatamente ao mesmo sítio. Nessa altura eu jogava no inverno com uma Marui, a FNX-45, que não é uma Glock, e no resto do ano com uma da VFC, a EXA, porque as sensações dela lembram mais as de uma arma a sério, e nunca tinha usado CO2. Em 2026 jogo com outra Glock da VFC, montada com a mesma configuração que uso nos Tactical Games.
Quanto às baratas, acho que é melhor gastar mais na pistola que queres mesmo do que comprar uma qualquer só para teres pistola. A exceção é se todos os campos da tua zona obrigam a uma distância mínima de 5 metros, porque aí a pistola faz-te falta para o que acontece mais perto, e se a vais usar pouco, uma de uns 80 euros, como a Saigo da tabela, faz sentido. Onde se pode disparar a principal a 0 metros, a pistola fica como recurso para o caso de ficares sem munição: em 2024, num campo de Bilbau que joga assim, nove em cada dez vezes ia só com a principal. Um amigo começou com uma Saigo quando custavam uns 50 euros e durou-lhe cinco ou seis anos, e das WE que tinha experimentado até 2024, as que nessa altura passavam dos 100 ou 110 euros costumavam funcionar muito bem.
Ao preço da pistola soma o coldre e os carregadores, que numa pistola a gás são caros. A 17 de outubro de 2026, numa loja espanhola, um carregador de reserva da VFC Glock 17 Gen5 custava 41,99 euros e um da Marui Glock 19 Gen3, 32,99, por isso com dois de reserva a da VFC já passa dos 260 euros.
Para experimentar sem gastar tanto, no marketplace da Plairsoft há uma categoria de pistolas de airsoft em segunda mão que outros jogadores vendem. A Plairsoft põe-vos em contacto, mas não intervém na venda, por isso combina com o vendedor experimentá-la antes de pagar: dispara um carregador inteiro, vê se a corrediça faz o percurso completo e confirma que o carregador não perde gás.
Glock 17 ou Glock 19 de airsoft
São as duas mais procuradas, e a diferença é de tamanho: a 17 é a de tamanho completo e a 19, a compacta, com a corrediça e o punho mais curtos. No airsoft nota-se no carregador e, segundo as fichas das lojas, na Glock 19 Gen3 da Marui cabem 22 bolas e na Glock 17 Gen5 MOS da mesma marca, 25. O MOS quer dizer que a corrediça vem preparada para lhe montares um ponto vermelho em cima.
Escolhe pela tua mão e pelo coldre que vais usar, porque muitos são feitos para um modelo concreto. E se te tenta a Glock 18C, a que dispara em automático, a Tokyo Marui fá-la a gás e há elétricas que a copiam. Antes de pagares pelo seletor, pergunta no teu campo se deixa disparar em automático com a pistola.
Licença e marcações de uma Glock de airsoft
A licença da Glock para o airsoft é da Umarex, e as Glock a gás da Umarex são fabricadas pela VFC e pela GHK. Por isso são as que têm as marcações iguais às da real, na pistola e no carregador. A Marui, a KJ Works, a Saigo ou a WE não as podem pôr, e nelas não vais ler «Glock»: a da Saigo, por exemplo, vende-se como G23. A quem está a começar, tanto lhe faz. A quem recria uma unidade ou cuida de cada pormenor do equipamento não, e nas marcas que procuram o realismo, além disso, o funcionamento parece-se mais com o da real.

Na Polónia, com a real na mão, comentei que noutras pistolas o carregador deixa ver a parte do gás e isso denuncia-as, mas numa Glock de airsoft não. E a GHK pesa tanto e tem uma mola tão forte que, na minha opinião, alguém que perceba muito de armas talvez a distinguisse, mas quem só as experimentou provavelmente teria dificuldade em fazê-lo à vista ou ao toque.
O pior da GHK é o carregador, que não mostra as bolas que levas, e isso, em jogo, é um grande problema. Nisso a real está melhor, porque o carregador dela tem atrás uns furos pelos quais se contam os cartuchos.
Em Espanha, segundo o Regulamento de Armas espanhol, no texto em vigor em outubro de 2026 (RD 137/1993, art. 3), uma Glock a gás semiautomática é uma arma da categoria 4.1 e tem de estar documentada com o seu cartão de armas («tarjeta de armas»), que é concedido pelo presidente da câmara do município onde vives e anda sempre com ela (art. 105). O cartão A, o da 4.1, cobre no máximo seis réplicas e vale cinco anos. Na rua, o mesmo Regulamento só deixa levá-la desmontada ou dentro da sua caixa ou capa, no trajeto entre o sítio onde a guardas e o sítio onde se joga (art. 149), e proíbe exibi-la sem necessidade (art. 147). E como se confunde com uma verdadeira, não a mostres. Os papéis que te pedem não são os mesmos em todos os municípios, por isso pergunta na tua câmara municipal antes de ires.
Como funciona por dentro uma Glock a gás
Na Polónia o instrutor viu pela primeira vez uma Glock de airsoft por dentro, ao lado de uma real, e acabámos por concluir que também não há assim tanta diferença. O que muda é de onde vem a força, porque na réplica tudo é movido pelo gás que o carregador guarda. Um disparo é assim.
O nozzle carrega a bola. Vai montado na corrediça e, quando ela fecha, empurra uma bola para o cano e faz vedação contra uma borracha. Como o lábio do carregador é mínimo, o nozzle é fino e recolhe-se para passar por cima dele e apanhar a seguinte.

O cão liberta o gás. Quando apertas o gatilho, cai o cão (o martelo), que fica na armação, à altura da válvula do carregador: abre-a e o gás sai pelo nozzle. Na real, e isto eu não sabia antes desse dia, o que bate no cartucho é um percutor que fica em cima, ao fundo da corrediça. Com esse mesmo gás a corrediça volta atrás e arma outra vez o cão, que fica preso no dente do gatilho até ao tiro seguinte. Quanto mais força for precisa para a corrediça recuar, pior se porta a pistola com o frio.
O hop-up dá-lhe efeito. A borracha contra a qual o nozzle faz vedação põe a bola a girar, e assim ela aguenta-se mais tempo no ar. Esse conjunto regula-se com uma rodinha até o tiro sair direito: com pouco efeito a bola cai, e com demasiado, sobe.
Por isso convém tê-la limpa e lubrificada: a sujidade que se acumula e a falta de lubrificante podem acabar por travar estas peças, pequenas e, nos modelos baratos, de plástico, mais do que o gás consegue empurrar. Se uma pistola nova falha ao alimentar, vê primeiro se vem seca: às vezes basta desmontar a corrediça e deitar-lhe um pouco de spray de silicone. Uma Glock a gás limpa-se toda. Eu faço-o com álcool isopropílico, e pelo cano passo uma vareta com um pano. Depois leva óleo de silicone onde desliza e uma massa lubrificante fina onde as peças roçam.
Glock a gás com frio: qual aguenta
Com frio, uma Glock a gás funciona ou não consoante a marca e o gás que lhe pões. A que levámos para a Polónia falhava, e ali mesmo vimos porquê: com a temperatura desse dia, o nosso gás não tinha força suficiente. Além disso era um modelo barato, com peças de plástico.
Na comparação de 2024 medi-o. Entre 13 e 15 graus, com o mesmo gás de 12 kg e bola de 0,25 g para todas, a Saigo Glock 23, de corrediça de plástico, já não completava o ciclo, porque o nozzle tinha congelado. Com o carregador aquecido um bocado no bolso voltou a disparar bem, de 0,70 a 0,79 joules, até ficar sem gás. As Saigo, pela minha experiência e pela de vários amigos, acabam por falhar no inverno abaixo dos 15 graus, e mais com humidade, como no País Basco, onde vivo. A Glock 17 Gen5 da VFC, de corrediça metálica, aguentou a 13 graus dois carregadores seguidos, de 0,77 a 0,80 joules. Tem mérito, porque nesse mesmo vídeo disse que oito em cada dez pistolas de corrediça metálica falham quando a temperatura começa a descer.

Num teste de gases em 2026 resumi-o assim: quando alguém diz que as pistolas não funcionam no inverno, muitas vezes a marca é de má qualidade ou o gás é o errado. As cores de baixo são as das latas desse teste, do mais suave para o mais forte: o azul anda pelos 8 bar, o verde pelos 10 e o vermelho, no papel, pelos 12. O gás conforme a pistola, caso te sirva:
- Marui e pistolas de plástico: nas Marui uso azul quase o ano todo, e verde quando é preciso um pouco mais. Em qualquer pistola de plástico, não passes do verde a não ser com muitíssimo frio, abaixo dos 5 graus: um gás mais forte pode forçar o mecanismo, e numa FNX-45 da Marui as corrediças acabam por rebentar.
- Pistolas metálicas: abaixo de uns 15 graus já podes pensar no vermelho.
Não desprezes os gases suaves. A 10 graus, a EXA funcionava às mil maravilhas com o azul e com o verde, e com o vermelho esvaziou o carregador inteiro sem problemas.
Que potência tem uma Glock de airsoft e qual é o limite do campo
As duas Glock do teste ficaram abaixo de 1 joule, e isso cabe no que pedem quase todos os campos. Dos 73 campos espanhóis que publicam na Plairsoft o seu limite para pistola (medidos a 17 de setembro de 2026), quase metade põe-no nos 330 fps com bola de 0,20 g, um pouco mais de 1 joule. Um em cada cinco deixa-o nos 350 fps, como o de uma espingarda de assalto, e um em cada sete redu-lo para 300 fps, uns 0,84 joules. A mediana é de 328 fps, 1 joule certo, e tens os valores campo a campo na mesma tabela de potências.
Onde podes passar do limite é com o gás. A 10 graus, com bola de 0,32 g, a EXA deu no cronógrafo à volta de 0,9 joules com o azul e com o verde, e com o vermelho passou do joule (1,05 no primeiro tiro). Passa no cronógrafo com a bola e o gás com que vais jogar, e se mudares de gás, esvazia antes o carregador inteiro, porque misturar gases dá falhas, pelo menos na minha experiência. Se a loja te dá a potência em fps e o campo a pede em joules, ou ao contrário, a calculadora de fps para joules converte-a com o peso de bola que usares.

E uma Glock elétrica?
Eu adoro a sensação do blowback, por isso nunca usei uma pistola elétrica. Na função de sniper no airsoft veem-se bastantes, porque aí pesa mais que a pistola não se ouça, e o Xavi, o sniper maiorquino que apareceu no canal em 2024, punha entre as suas três pistolas para a função a SSE18 da Novritsch: uma Glock moderna elétrica, com calha por baixo e rosca de 14 mm para o silenciador. Segundo ele é preciso modificá-la, vem por volta dos 250 fps, levanta bolas de 0,25 e 0,28 e chega aos 30 ou 40 metros. Em outubro de 2026 a Novritsch anuncia-a a uns 220 fps com bola de 0,20, com modo automático e semiautomático, e como não funciona a gás, livra-se do problema do frio.
O que perdes é precisamente o que a aproxima da real: a corrediça não se mexe e não há recuo. Se queres uma Glock que se pareça com a verdadeira, a elétrica não te serve.
Carregadores, coldres e ponto vermelho para a tua Glock
Há muitas marcas a fazer carregadores de Glock, e bastantes servem de uma marca para outra. Com a EXA experimentei um de Gen5, um da Marui e um da Umarex para a Gen4: os três entraram e dispararam, embora o da Marui tivesse de ser tirado à mão. Se na tua equipa há mais gente com Glock, podem emprestar carregadores uns aos outros a meio de um jogo. No fim de 2023, num jogo em Madrid, fiquei sem munição e um rapaz emprestou-me dois dos dele, de outra marca, com os quais pude continuar a jogar. Se têm uma equipa na Plairsoft, falem disso no chat da equipa antes de cada um comprar a sua.
Para os levar no cinto, em 2023 usava porta-carregadores de cópia com um inserto rígido de Kydex que os segura com muita firmeza. Como vão virados para cima, podem bater no colete ao tirá-los, por isso é preciso treinar o gesto.
Os coldres de Kydex da Warrior Assault Systems, que estão entre os mais genéricos, só vêm para Glock sem lanterna e para Glock com uma SureFire X300, e assim que sais disso já não te servem. Cuidado com a segurança que algumas réplicas, como a Saigo, têm em baixo na armação e que a real não tem. Um amigo que usa um coldre da Cytac de botão lateral dá às vezes com a segurança posta ao meter a pistola no coldre, sem se ter apercebido. Como não se tira com o polegar, ao sacá-la tem de a procurar com o dedo antes de poder disparar. Vê se o teu modelo a tem antes de escolher o coldre e, se te acontecer, lixa ou lima o coldre nessa zona.

Se lhe vais pôr um ponto vermelho, vê primeiro a pegada, que é o padrão da base dele. Em 2023 perdi três horas de uma manhã de gravação porque comprei um RMR que não encaixava na EXA. Com uma Glock tens a vida mais facilitada do que com outras pistolas, porque há montagens universais que servem para quase qualquer ponto vermelho, exceto os do tipo Acro ou os de montagem muito específica, e mesmo assim a ficha diz com que miras é compatível. Na que montei em 2025, o parafuso de trás ficava curto, e numa loja de ferragens deram-me um igual mas mais comprido em dez minutos. A Glock 19 Gen5 da Marui da fotografia, a do Shai, que mostrou o seu equipamento no canal em 2026, de série só aceita o ponto vermelho da Marui: para outro RMR é preciso comprar-lhe uma base compatível, que custa uns 5 euros.
Se tens dúvidas sobre que coldre ou que montagem serve ao teu modelo, pergunta no grupo Glock da Plairsoft, que é para falar de coldres, acessórios e compatibilidade de peças. E se ainda hesitas entre uma Glock e outra pistola, em 2024 comparei umas quantas de 20 a 250 euros.

Aritz
Brand Ambassador da Plairsoft
O Aritz joga airsoft há anos e conta-o no seu canal de YouTube. Já jogou em Espanha, na Bélgica, no México e na Colômbia, fez cursos de CQB e de tiro com instrutores vindos do meio militar e compete nos Tactical Games. O que assina aqui sai do que testou e gravou em primeira mão.
Edição: equipa da Plairsoft




